sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Retorno para Nigéria

Na época do retorno de ex-escravos ao continente africano,estimulado pelas autoridades à aqueles que pudessem pagar pela viagem;Fadugba e sua esposa voltaram à Nigéria para rever sua terra mãe,por razões do azar da viagem,eles deixaram os filhos na Bahia,pois se por acaso eles morressem no percurso devido a precariedade da embarcação,os filhos estariam a salvo.Mas com sorte Fadugba e Efundunke chegaram na Nigéria e se abrigaram no quarteirão brasileiro de Lagos onde outros que haviam retornado se abrigaram. O trecho a seguir foi transcrito do testamento de Joaquim de Almeida que retornou para Costa da África no qual ele confirma a precariedade e o temor da viagem de retorno. Em nome de Deus amen, " Eu,Joaquim de Almeida,nascido na Costa da África,liberto,e encontrando-me atualmente nesta cidade,em estado celibatário,e estando no ponto de partir para Costa da África,não tendo mais a garantia de continuar em vida durante esta viagem,decido fazer meu testamento,última e derradeira vontade,visto que tenho toda a minha razão e meu bom senso." O Vaso partiu para Costa da África em Outubro de 1844,Fluxo e Refluxo pág.537 A notícia de seu retorno chegou a Imesi-Ile no Estado de Osun,mas como na época era de praxe os retornados ficarem em Lagos,assim fizeram ele e sua esposa,e não seguiram para sua cidade natal. Os retornados ficavam em Lagos por que na época a vida era melhor do que em outro lugar do país em termos de trabalho.Como aprenderam vários ofícios no Brasil,quando chegaram participaram ativamente de negócios e exerceram suas profissões;muitos deles foram bem sucedidos e ajudaram no crescimento da economia do país.Alguns vieram a fazer parte da alta sociedade da cidade e passaram a gozar privilégios. Isso ocorreu pelo fato deles,os retornados,também falarem outra língua,facilitando assim a comunicação com os estrangeiros na época;eram preferidos nos empregos e negócios de onde alguns acumularam riquezas. Fadugba foi bem sucedido nos negócios dele,principalmente como carpinteiro e pedreiro;ele ainda teve mais dois filhos na Nigéria com sua esposa Efundunke e outros filhos de um novo casamento que foi arranjado tão logo de seu retorno,aumentando assim o número de descendentes.È importante relatar que na cultura Yoruba,pratica-se casamentos monogâmicos e poligâmicos,mas esta última modaliade (poligamia) é muito comun.Exemplificando este tipo de relação matrimonial,temos o relato do legendário (Ojelade) Martiniano Eliseu do Bonfim (1859-1943),emblemática figura religiosa da Bahia,relatou a E.Franklin Frazier em um artigo publicado em 1942 pela American Sociological Review,Vol.7 sob o título The Negro Family in Bahia -Brazil;que seu pai era um Yoruba-Egba e sua mãe Yoruba alforriada e que seu avô tinha quarenta mulheres na Nigéria e seu pai cinco mulheres na Bahia,sendo sua mãe a primeira esposa.Este relato enfatiza a poligamia na cultura Yoruba,dentro e fora da Nigéria.Uma outra particulariade sobre Martiniano é que seu verdadeiro nome era Ojelade,que foi dado por seu pai e ignorado pela sociedade colonial. A família Otuoko-Pinheiro começou uma nova trajetória em Lagos e hoje é muito grande e bem conhecida nas áreas onde está estabelecida.Após vários anos trabalho Fadugba havia decidido não morrer em Lagos,porém faleceu na cidade de Abeokuta no Estado de Ogun onde chegou doente,no seu trajeto a Imesi-Ile que era seu sonho.

Um comentário:

rhodesbbqsmokehouselondon disse...

Hello, My name is Koye Rhodes, I am a direct descendant of one of the names of the Brazilian returnees on your research Joaquim Francisco Devodê. He was my paternal grand father, I came across your blog while I was doing some research on him and Brazil style architecture in Nigeria especially in Lagos and Porto Novo in Benin. I had to translate your blog to english in order to read it.If you need any more information on this side of your history please feel free to contact me on koyerhodes@yahoo.com or you can check me on facebook.
Thank you and Good luck