sábado, 11 de outubro de 2008

Origem da Família Pinheiro

"Omo-omo ni adé arúgbó;ògo awon omo sì ni baba won"

(Owe Solomoni 17:6)


Nosso ancestral era Fadugba Otuoko Pinheiro,nascido no final do século XVIII na cidade de Imesi-Ile,um distrito do Município de Obokun no Estado de Osun na Nigéria;ele era o primeiro filho do Principe Agberemi Fadugba Otuoko que era oriundo da cidade de Oyo-Ile,também conhecida como Katunga ou Antiga Oyo no antigo Reino Yoruba de Oyo.Após um desentendimento entre ele e seu irmão Alááfin Adeyemi I Alowolodu sobre a sucessão do reinado de Oyo,ele se abrigou no quarteirão de Oke Irena na cidade de Imesi-Ile. É importante dizer que antes de morrer o Aláàfin de Oyo Oba Atiba Atobatele convocou uma conferência Yoruba para discutir a sucessão do trono,onde foi determinado que um Aremo (Príncipe da Coroa) caso tivesse todas as condições inerentes para ser um Aláàfin e,confirmado pelo Oyomesi (Conselho de Chefes ou Supremo Conselho do Estado ),deveria ser coroado.Quando o Aláàfin Atiba Atobatele morreu;Kurumi o Aare Ona Kakanfo (Generalíssimo do Exército de Oyo )no século XV ,renegou o acordo de sucessão,mas outros Yorubas discordaram dele e houve a guerra de Ijaiye,que custou a vida do General Kurumi e seus cinco filhos.Assim a sucessão do trono se reveza entre as duas grandes casas originais do Reino de Oyo que são Ladigbolu e Adeyemi.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Vinda para o Brasil

Fadugba Otuoko foi uma pessoa inteligente e forte,mas foi capturado por negociantes de escravos no caminho para a fazenda da família no quarteirão de Imojugbon quando tinha nove anos de idade e,foi trazido para o Brasil. Ele foi comprado pelo rico senhor de engenho de açúcar de Santo Amaro que era Joaquim José Pinheiro de Vasconcelos na época Barão de Monserrate,elevado a Visconde com o Decreto de 21 de Junho de 1878 e,que era casado com D.Maria Francisca de Campos Pinheiro,foi também Presidente da então Província da Bahia por três vezes e também foi Presidente da Província de Pernambuco. Fadugba Otuoko trabalhou na Bahia onde se casou com uma mulher originária de sua cidade,cujo o nome era Efundunke,tiveram vários filhos;na Nigéria pouco se sabe sobre ela,mas existe a lembrança de Maria Efundunke Pinheiro associada a ela.Na época na Bahia era comun a utilização de nomes na língua Yoruba no ambiente familiar,porém normalmente os registros eram proibidos.Quando havia a possibilidade do uso em registro,este se fazia como segundo nome e, era utilizado apenas na família ou na comunidade oriunda da mesma região devido à hostilidade encontrada na sociedade da época. No Brasil os oriundos do continente africano eram chamados por nomes europeus;como por exemplo,um nigeriano cujo o verdadeiro nome era Sule (maneira como os Yorubas chaman Suleiman ),que aqui era chamado de Victório;também temos o caso de André por alcunha Alade e Joaquim por alcunha Cute,este último uma onomástica do nome Kuti,que é originário da região de Abeokuta.Sule,André e Cute são citados por Pierre Verger.Na verdade estas alcunhas eram de fato seus verdadeiros nomes recebidos dentro da tradiçao Yoruba e tratando-se deste tipo de genealogia,haja vista as condições impostas a estas pessoas,a tradição e história oral entre outros são extremamente importantes.No passado na Bahia existiam as figuras do Òpitán (Aquele que conta história) e do Akpálò (Contador de fábulas) eram comuns nas comunidades Yorubas.

O Retorno para Nigéria

Na época do retorno de ex-escravos ao continente africano,estimulado pelas autoridades à aqueles que pudessem pagar pela viagem;Fadugba e sua esposa voltaram à Nigéria para rever sua terra mãe,por razões do azar da viagem,eles deixaram os filhos na Bahia,pois se por acaso eles morressem no percurso devido a precariedade da embarcação,os filhos estariam a salvo.Mas com sorte Fadugba e Efundunke chegaram na Nigéria e se abrigaram no quarteirão brasileiro de Lagos onde outros que haviam retornado se abrigaram. O trecho a seguir foi transcrito do testamento de Joaquim de Almeida que retornou para Costa da África no qual ele confirma a precariedade e o temor da viagem de retorno. Em nome de Deus amen, " Eu,Joaquim de Almeida,nascido na Costa da África,liberto,e encontrando-me atualmente nesta cidade,em estado celibatário,e estando no ponto de partir para Costa da África,não tendo mais a garantia de continuar em vida durante esta viagem,decido fazer meu testamento,última e derradeira vontade,visto que tenho toda a minha razão e meu bom senso." O Vaso partiu para Costa da África em Outubro de 1844,Fluxo e Refluxo pág.537 A notícia de seu retorno chegou a Imesi-Ile no Estado de Osun,mas como na época era de praxe os retornados ficarem em Lagos,assim fizeram ele e sua esposa,e não seguiram para sua cidade natal. Os retornados ficavam em Lagos por que na época a vida era melhor do que em outro lugar do país em termos de trabalho.Como aprenderam vários ofícios no Brasil,quando chegaram participaram ativamente de negócios e exerceram suas profissões;muitos deles foram bem sucedidos e ajudaram no crescimento da economia do país.Alguns vieram a fazer parte da alta sociedade da cidade e passaram a gozar privilégios. Isso ocorreu pelo fato deles,os retornados,também falarem outra língua,facilitando assim a comunicação com os estrangeiros na época;eram preferidos nos empregos e negócios de onde alguns acumularam riquezas. Fadugba foi bem sucedido nos negócios dele,principalmente como carpinteiro e pedreiro;ele ainda teve mais dois filhos na Nigéria com sua esposa Efundunke e outros filhos de um novo casamento que foi arranjado tão logo de seu retorno,aumentando assim o número de descendentes.È importante relatar que na cultura Yoruba,pratica-se casamentos monogâmicos e poligâmicos,mas esta última modaliade (poligamia) é muito comun.Exemplificando este tipo de relação matrimonial,temos o relato do legendário (Ojelade) Martiniano Eliseu do Bonfim (1859-1943),emblemática figura religiosa da Bahia,relatou a E.Franklin Frazier em um artigo publicado em 1942 pela American Sociological Review,Vol.7 sob o título The Negro Family in Bahia -Brazil;que seu pai era um Yoruba-Egba e sua mãe Yoruba alforriada e que seu avô tinha quarenta mulheres na Nigéria e seu pai cinco mulheres na Bahia,sendo sua mãe a primeira esposa.Este relato enfatiza a poligamia na cultura Yoruba,dentro e fora da Nigéria.Uma outra particulariade sobre Martiniano é que seu verdadeiro nome era Ojelade,que foi dado por seu pai e ignorado pela sociedade colonial. A família Otuoko-Pinheiro começou uma nova trajetória em Lagos e hoje é muito grande e bem conhecida nas áreas onde está estabelecida.Após vários anos trabalho Fadugba havia decidido não morrer em Lagos,porém faleceu na cidade de Abeokuta no Estado de Ogun onde chegou doente,no seu trajeto a Imesi-Ile que era seu sonho.

O Genarca e a Conexão Familiar

Uma observação que deve ser feita em relação a genealogia Yoruba na Bahia,é o fato de existirem no passado a presença de Yorubas oriundos de duas regiôes distintas,que são Nigéria e República do Benin (antigo Daomé);a história nos mostra a influência dos Yorubas vindos do Império de Oyo na República do Benin,fato que se deve a invasão da forte cavalaria de Oyo na gestão do Aláàfin Ojigi (1728-1736);muitas tradições orais indicam que os fundadores da cidade de Saketé eram de Oyo.Também existe na cidade de Porto Novo o orílè (denota a fundação ou origem) chamado Omo Oba Oyo (Criança ou Filho do Rei de Oyo) - Omo Gboluwadje,onomástica do nome do Aláàfin Gboluaje (1754-17..) e tem como idílé (linhagem) as famíliasParaíso,Balley, Damala e Adjileye-Bouraima,algumas hoje são muçulmanas. Os decendentes das grandes famílias de Porto Novo que estão unidos a este onilè (fundador) e são nomeados Afanja,um dos primeiros Yorubas que chegaram ao Daomé,não confundir com o rebelde Aare Ona Kakanfo (Generalíssimo) Afonja que se rebelou contra o Aláàfin Awole Arogangan e, governou a cidade de Ilorin de 1817 a 1831.Diante destes fatos históricos relativos a estas famílias e que estão registrados na história da República do Benin e a presença de Yorubas oriundos de Saketé e Porto Novo entre outras em grande quantidade na Bahia;podemos dizer que no que tange a genealogia de Fadugba Otuoko,filho do Príncipe Agberemi Fadugba Otuoko-Omo Oba Oyo,no sentido mais profundo,vai além dos que carregam o sobrenome Pinheiro,haja vista que que como relatamos;alguns de seus parentes estiveram na Bahia quiçá em outras cidades brasileiras via República do Benin,neste particular ligados ao nosso Genarca Aláàfin Oranyan/Oranmiyan fundador do Império de Oyo. Estes detalhes referente ao Benin são importantes mencionar,pois poderão servir de parâmetro para as pessoas que estão fazendo seus levantamentos genealógicos dentro de alguma comunidade Yorubadecendente na Bahia ou outro estado da federação.Contudo o nosso foco principal é a família Pinheiro da linhagem direta de Fadugba Otuoko.